Amar suas fraquezas

(Foto tirada por mim num dia de chuva que estava perfeito)

Outubro. No dia primeiro do mês celebramos uma das Santas mais populares da igreja que todos amam: Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.
Confesso que eu nunca fui fã de Santa Teresinha, e nunca entendi porque tantas pessoas amavam ela e tinham devoção á ela. Mas em janeiro desse ano conheci uma pessoa que a amava e aprendeu com ela como ser melhor, aprendeu tanto que se tornou santa: Santa Teresa dos Andes, a padroeira da juventude da América latina, e minha santa de maior devoção desde então.

Ainda farei um post sobre minha história com a minha Teresa e de como ela cuida de mim e me escolheu. Mas hoje o assunto é amar a si mesmo, e o que eu tenho aprendido com Santa Teresinha.

Fazes as pazes consigo mesmo deve ser uma das coisas mais difíceis para se fazer. Olhar para sua própria história, para sua vida no presente, e para os seus sonhos no futuro é doloroso, mas necessário. A grande maioria das pessoas não gosta do seu passado, eu mesma, cada vez que tenho que olhar para trás é uma tortura. Mesmo que já recebi muitas graças e curas do meu passado em relação a terceiros, quando se trata de mim mesma, a conversa é outra.

Perfeccionismos, falta de confiança na graça de Deus, erros e mais erros... Minha mania de grandeza (própria do meu temperamento predominante, mas que só descobri recentemente) e de almejar grandes coisas, sempre me fez sofrer muito: insatisfação, nada nunca é ou foi bom o suficiente. Foi então que conheci Teresinha: pequena, falha, muitas vezes até mau compreendida na sua "infantilidade", mas não tinha medo disso, nunca teve medo de si mesma, e nunca teve medo de admitir que era falha e que dependia de Deus para tudo! 

Confesso que foi um choque para mim conhecer sua infância espiritual e sua total dependência de Deus em tudo! Pra mim o segredo dela é que ela sabia exatamente o seu lugar na criação. Não queria ser Deus ou tomar o lugar de Deus. Para ela tudo bem ser pequena, desde que Deus fosse grande nela, tudo bem ser falha, se essas falhas lhe levassem a amar a Deus que é perfeito, tudo bem ser infantil, porque as crianças sabem como depender dos seus pais e contar com eles para tudo.

Então eu resolvi olhar pra trás hoje novamente. Mesmo que eu sei que vai doer, e que eu não vou gostar do que vou ver, mas vou olhar pela última vez com olhar de desgosto. A partir de hoje quero olhar minha história como o lugar onde minhas fraquezas e erros me levaram até Jesus, quero olhar para a Débora adolescente e amá-la, dizer obrigada, porque se hoje eu conheço Jesus, se hoje eu sei as coisas que eu sei, foi porque a Débora adolescente existiu, e deixou-se ser conduzida até aqui, até hoje e é hoje que eu te deixo livre, para ser quem você é.

E também a Débora de hoje aprende com Santa Teresinha, aos trancos e barrancos, quero olhar meu presente como ela: tudo bem ser falha, pequena, infantil, se tudo isso me levar a amar a Jesus. Tudo bem ser imperfeita, porque só Deus é perfeito, e é o único que deveria ser mesmo perfeito. 

Tirar dos meus ombros o fardo de ser perfeita é a melhor coisa que eu venho aprendendo. Com isso Jesus troca meu fardo, tira o julgo pesado da auto cobrança, do perfeccionismo, e coloca o julgo leve do amor. Tudo bem ser só uma criatura, eu não quero ser divina, não quero tomar o lugar de Deus que é perfeito. Eu aceito a minha imperfeição para que Deus reine na minha vida sendo perfeito.

O que me fez olhar para minha história com amor é sabe que Deus me amou primeiro, e que seu amor nunca foi mudado pelas coisas que eu fiz, pois se isso tivesse acontecido, Ele não seria Deus. Desde quando fui concebida, até hoje, até esse momento, Ele me amou primeiro, e me amou da mesma forma, com a mesma perfeição, com o mesmo cuidado e carinho de sempre.

Para perdoar meu eu do passado eu precisei saber que Deus nunca mudou. Ele é o mesmo, ontem, hoje e sempre, assim como seu amor. O mesmo amor que Ele me da agora, também me deu no passado, da mesma forma, com a mesma intensidade. Assim o julgo vai ficando mais leve.

Encerro com a minha frase preferida de Santa Teresinha: "Não consigo crescer, devo suportar-me como sou, com todas as minhas imperfeições" ♡






A resposta que eu quero dar a Deus



Estava na segunda feira fazendo minha meditação diária com o evangelho do dia. A leitura era uma passagem que em 24 anos que sou católica, sempre li, e sempre escutei várias pregações sobre ela. Era a parábola do bom samaritano: Lc 10, 25-37


Naquele tempo, 25 levantou-se um doutor da lei e, para pôr Jesus à prova, perguntou: “Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?”
26 Disse-lhe Jesus: “Que está escrito na lei? Como é que lês?”
27 Respondeu ele: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento; e a teu próximo como a ti mesmo”.
28 Falou-lhe Jesus: “Respondeste bem; faze isto e viverás”.
29 Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?”
30 Jesus então contou: “Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto.
31 Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante.
32 Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante.
33 Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão.
34 Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele.
35 No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: ‘Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta to pagarei’.
36 Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?”
37 Respondeu o doutor: “Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo”.


Ouvindo o comentário do Padre Paulo Ricardo, o mesmo explicou que alegoricamente o bom samaritano é Jesus, que vem ao nosso encontro primeiro, nos ama primeiro antes que eu mesma pense em amá-lo.

A nossa oração nada mais é do a resposta que damos a Deus desse amor. Foi então que percebi porque eu nunca consigo rezar direito, nem que seja um simples rosário! Eu tento inverter a ordem das coisas: quero amar Deus primeiro e tentar fazer com que ele me note através da minha oração. O que além de totalmente errado, não é nada cristão.

É incrível como que depois de 24 anos me considerando cristã, eu ainda não aprendi nada com o cristianismo. Jesus é o Deus verdadeiro exatamente porque com Ele tudo é diferente. Ele não espera que eu me manifeste, ou que eu vá atrás dele, Ele mesmo vem, e como eu (e acredito que a maioria das pessoas também) não estou acostumada com alguém que venha ao meu encontro ao invés de eu fazer isso, ignoro completamente essa verdade.

Antes que eu pensasse em ir, Ele já veio, antes que eu pensasse em estar aqui escrevendo sobre Ele e a sua verdade na minha vida, Ele já estava aqui, me esperando.

Porque é próprio do amor, do amor verdadeiro digo, a antecipar-se. Sair de si, ir ao encontro, ir primeiro, dar o primeiro passo, para que então o outro responda esse amor. Como Deus é perfeito sua antecipação também é. O que me deixa constrangida como criatura pecadora que sou.

Ai eu me pergunto: Qual a qualidade da minha resposta de amor a Ele? Porque ele não está interessado em intensidade, ou quantidade, mas qualidade. Porque Deus não pensa como a gente, pra Ele a intenção, o motivo, o porquê de fazermos a coisas que importa.

E a minha resposta? A pior possível, como era de se esperar de uma criatura que nem ao menos sabe, nem ao menos corresponde ao amor com que é amada. Gosto sempre de lembrar de São Paulo que diz que a graça pressupõe a natureza, ou seja, aquilo que eu sou na minha natureza pode ser superado pela graça de Deus.

Porque esse abaixar-se de Deus, nada mais é do que Ele me dizendo: "Você não consegue sozinha, eu tô aqui". E eu não consigo mesmo, quanto mais cedo eu admitir pra mim mesma que sem Ele a única coisa que eu consigo fazer é me rastejar na lama cada vez mais, que sem o auxílio da sua Graça cada passo que eu dou é um passo vazio em mim mesma, eu não consigo mudar, não consigo melhorar.

A oração pós comunhão do domingo (e dessa semana) diz exatamente isso:

"Possamos, ó Deus onipotente, saciar-nos do pão celeste e inebriar-nos do vinho sagrado, para que sejamos transformados naquele que agora recebemos. Por Cristo, nosso Senhor."

Porque não basta Deus nos amar primeiro, nos amar infinitamente, Ele ainda dá Ele mesmo para que sejamos transformados.

Diante dessa verdade, eu me decido em dar a melhor resposta que puder a esse amor infinito, a melhor que eu puder não vai ser a resposta mais perfeita, nem a ideal, muito menos a que Ele merece, mas se tem uma coisa que venho aprendendo nos últimos meses é que preciso amar quem eu sou, para corresponder ao amor de Deus, o melhor que eu puder. Basta dar o primeiro passo, o caminho é Ele que constrói.





Doramas e coisas pequenas com amor

(Dorama: A fada do levantamento de peso)


Já faz algum tempo que ando bem encantada com um tipo de série oriental chamado dorama. São séries curtinhas, principalmente de origem coreana, que tem em sua maioria 16 episódios de 1 hora cada um. Pensando sobre como isso tem efeito sobre a minha vida espiritual e emocional, me deparei com algo que praticamente todos eles têm em comum: romances bem leves e até inocentes e puritanos, histórias bem simples e até clichês, coisas consideradas bobas por nós que somos ocidentais. Coisas que para nós são coisas do dia a dia: pegar na mão, beijo no rosto, falar que gosta, sair para tomar um café, para a cultura deles tem um valor enorme. O que me fez pensar no valor que eu e as pessoas dão para as coisas.

O que me encanta é exatamente isso, como que uma coisa considerada comum e normal, tem um valor enorme. Quantas vezes não queremos que coisas grandiosas aconteçam para que então tenham seu devido valor: Precisa ser uma declaração de amor enorme, precisa ser um beijo enorme e demorado, demonstrações de afeto cada vez maiores e nós nunca parecemos estar satisfeitos, queremos sempre mais e mais afeto, e assim vamos ficando cada vez mais insatisfeitos, com a nossa carência, com as expectativas que criamos em cima dos outros e em nós mesmos.

Se talvez nós déssemos o devido valor a um abraço, andar de mãos dadas, a uma rosa comprada com carinho, se mudássemos a quantidade do nosso afeto e passássemos a dar qualidade para ele, talvez nossas relações amorosas não se acabassem de um dia para o outro. Talvez nós parássemos de exigir do outro e da gente mesmo, coisas grandiosas. Ficamos encantados com a ficção e esquecemos que podemos e devemos fazer isso na vida real também.

Será que não estamos colocando expectativa demais em cima dos outros? Será que não queremos exigir coisas grandiosas das pessoas, quando a realidade deveríamos é dar valor as coisas simples e pequenas?

Por que as pessoas hoje em dia não dão valor mais as coisas pequenas? (inclusive eu mesma estou incluída) Enchemos a boca para falar quando alguém faz coisas grandiosas por nós, mas esquecemos daquela vez que talvez não tenha sido grande coisa, mas intenção com que foi feita, foi muito mais pura e grandiosa do que a coisa em si.

É como diz Santa Teresinha (que sempre amou as coisas pequenas): Nada é pequeno se feito com amor! 



A Liberdade de ser você mesmo



A adolescência/juventude é uma fase marcada por descobertas, por escolhas, pelo conhecimento de si mesmo. Desde muito jovem eu ansiava por descobrir quem eu era, sempre tive a curiosidade muito aguçada e essa curiosidade me levou a essa busca. É comum notar que temos algumas particularidades que outras pessoas não têm, e nos sentir estranhos e esquisitos por causa disso. Aí entra a comparação com outras pessoas, que se não for bem colocada pode levar a uma destruição de nós mesmos.

Estava pensando sobre isso, pois recentemente venho passando por muitas descobertas e redescobertas de mim mesma, uma das coisas que mais me alegrou descobrir é que essas coisinhas que eu tenho de diferente são presentes de Deus. Sim, pois Deus não nos colocou nesse mundo para “nos virarmos nos 30” sem ajuda de ninguém, Ele jamais, quando pensou em mim, quis que eu ficasse desamparada, lutando sozinha. Deus sempre dá os meios para que a gente busque a santidade e busque o céu, só que muitas vezes esses meios são meio desconhecidos de nós mesmos.

Me recordei de uma palestra do padre Adriano Zandoná, que falava sobre aceitação de si mesmo, ele contou uma história de um jovem e um senhor ourives, um dia esse senhor para mostrar ao jovem seu valor, pediu que ele pegasse um anel de ouro, e fosse numa feira perguntar aos feirantes quanto eles dariam por tal anel. E ele foi, um disse que dava 50 reais, outro 40 e outro 20. O jovem voltou escandalizado, e comentou com o ourives que aqueles feirantes não entendiam nada de ouro. Pois bem, o ourives pediu para que o jovem fosse então a uma das joalherias mais caras da cidade e perguntasse ao dono, quanto ele daria no anel. O jovem foi, o dono disse que daria 10 mil reais (muito mais do que o anel valia). Encantado o jovem volta e conta ao velho ourives o ocorrido, e ele finaliza: quando quiser saber do seu valor pergunte ao seu Dono, pergunte a Deus. Isso me deu uma alegria enorme, mesmo que eu seja um simples anelzinho, para Deus eu tenho um valor enorme.

Foi então que cai do meu cavalo de fantasias, e comecei a tentar me aceitar como eu sou, com o meu temperamento, com meus defeitos (que podem ser melhorados na graça de Deus), com a minha pessoalidade, com meu jeitinho que é só meu, Deus que me deu, e não aceitar esse presente de Deus é uma ofensa muito grande para com Ele.

Desde então tenho me sentido mais livre. “Ama e faz o que quiseres” vai dizer Santo Agostinho, o único que pode fazer o que quer nessa vida é Deus, pois Ele sabe como amar. Quando eu amo minha liberdade, quando eu amo a pessoa que Deus fez, eu amo a Deus assim Ele tem espaço na minha vida. Deus faz muito com pouco, basta uma pequena abertura para que a sua graça transborde, e isso é uma coisa que eu nunca vou entender.

Sobre aprender com os mais simples


 Foto tirada no dia que conversei com a minha avó no carro - Rio Pardo - SP


Já alguns dias Deus tem falado comigo muito em oração sobre a necessidade de ser simples, de ser pequenino, que é assim que nos aproximamos dele. O evangelho de hoje (18/07/2018) fala exatamente sobre isso:

"Naquele tempo, Jesus pronunciou estas palavras: "Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo”. (Mt 11, 25-27).


Pela graça de Deus tenho tido a oportunidade de vivenciar essas coisas na prática na minha família. Minha avó, uma senhora de 62 anos, muito piedosa e de grande fé, sempre me ensinou muito sobre a vida, sobre a família, sobre caridade principalmente, mas nunca dei muita atenção as coisas que aconteciam ao meu redor. Esses dias, numa conversa com ela no carro, pude perceber que ela tem muito mais a me ensinar que só a caridade e piedade. 

Minha avó não é formada em teologia, muito menos filosofia, tem os seus defeitos como qualquer pessoa normal, e eu presenciei minha avó falando sobre fé, como se é importante, mesmo sem entender acreditar naquilo que se vive, que a vida não tem sentido sem acreditar nos mistérios. Veja bem, ela não entende os mistérios, mas acredita. Ela ainda questionava que um de meus primos, que diz não acreditar em nada, era assim porque se achava muito entendido das coisas, se achava muito "cientista" que queria entender tudo que acontece no mundo, e com isso, perdia a fé.

Que lição maravilhosa e importante, melhor do que entender é acreditar. A fé é assim mesmo, é crer em algo que não vemos, que não entendemos, porque quando vemos e entendemos não precisamos de fé nenhuma para isso.

Me peguei pensando em quantas vezes tentei entender coisas que foram feitas para continuar um mistério: Os mistérios do terço, a santíssima trindade, a encarnação de Jesus, como Deus faz as coisas acontecerem... mistérios que não foram feitos para serem compreendidos em sua totalidade, mas para serem vividos na fé de 2.000 anos da igreja. Como eu perco muitas vezes a graça de Deus porque eu fico tentando entender o que está acontecendo, porquê está acontecendo, onde, quando, ai Jesus passa, e eu não vi, porque estava mais preocupada em entender do que em acreditar.

A fé, é claro, é uma graça sobrenatural que deve ser pedida a todo momento, e como Padre Paulo sempre diz é preciso que ela cresça através de atos de fé, de você chegar pra Jesus e dizer: "eu não to entendendo nada, mas eu acredito, seja feita sua vontade". Isso é fé, é humildade, é se reconhecer pequeno diante daquele que é o criador de todas as coisas!

E ai então eu entendi, Deus esconde essas coisas, coisas maravilhosas sobre Ele e a Igreja, de pessoas muito sábias, porque a pessoa que se acha muito sábia, acha que não precisa de Deus, ela por ela mesma já sabe de todas as coisas, então Deus não tem o que revelar para ela. O coração simples ao contrário, não espera nada de Deus, porque sabe que só a sua existência nessa terra já é motivo suficiente para agradecer a Deus e amá-lo.

Que Deus me dê um coração simples capaz de amá-lo de verdade, capaz de estudar sim, buscar conhecimento sempre, mas saber que Ele é a fonte de tudo, Ele que me revela o que Ele quer e quando Ele quer. A mim só basta dizer como Tomé: "Meu Senhor e meu Deus".

Livro: "O nome de Deus é misericórdia" do Papa Francisco




  • Nome do livro: O nome de Deus é misericórdia
  • Autor: Papa Francisco
  • Livro em formato de entrevista jornalística
  • Número de páginas: 138


Este livro pequeno e fantástico em forma de entrevista me fez ter um olhar totalmente novo sobre o nosso pastor, o Papa Francisco. Ele foi escrito em razão do ano da Misericórdia promulgado pelo Papa em 2015/2016. 
Ele se trata de uma entrevista jornalistica, de uma conversa, de um jornalista com o Papa. Outro livro desse formato que gostei muito foi "Cruzando limiar da esperança" do então papa e hoje santo, São João Paulo II.

O papa trata de assuntos bem particulares e com nada de novo a nós católicos: misericórdia, fé, sacramento da confissão, mas é a forma simples e direta com que ele fala sobre isso que me deixou profundamente tocada.

Logo na primeira parte, o papa é questionado de como surgiu a ideia de fazer um Jubileu da Misericórdia, com a sua simplicidade heroica ele responde que a ideia lhe veio em oração, mas que como ele não confia em si mesmo, esperou que Deus mostrasse mais claramente que isso era da Sua vontade. Aí eu me perguntei: se nem o Papa confia em si mesmo quando ouve Deus falando na oração, quem somos nós para sair achando que qualquer coisa foi revelação divina? Como o papa disse é preciso prudência e paciência para que a nossa vontade não se misture com a de Deus.

Nas palavras do próprio papa: "As coisas me ocorrem muito espontaneamente, são coisas do Senhor, cultivadas na oração. Sou acostumado a nunca confiar na primeira reação que tenho perante uma ideia que me vem ou uma proposta que me é feita. Nunca confio, até porque, em geral, a primeira reação é equivocada" (p.33). O papa disse ainda que Ele sempre teve uma relação muito estreita com a misericórdia divina, pelo tempo que passou sendo confessor.

Ele cita várias vezes São João Paulo II e outros papas, para afirmar que nada do que ele faz é novo, que não existe novidade no evangelho, Deus é o mesmo ontem hoje e sempre. O Papa faz questão de citar textos bíblicos, e o texto que lhe fez pensar no jubileu, a pecadora que foi impedida de ser apedrejada por Jesus e o capitulo 16 do livro de Ezequiel, que fala que mesmo que povo de Israel foi infiel, Deus não seria, pois não pode negar a si mesmo.

O papa fala ainda que o mal do século é a falta de consciencia das pessoas hoje de que elas são pecadoras, só uma pessoa doente sabe que precisa de um médico. Ele contou a história de uma senhora que o procurou para se confessar quando ele ainda era Bispo em Buenos Aires. Ao brincar com ela e dizer "Mas a senhor não tem pecados" A senhorinha respondeu: "Todos nós temos pecados..." ele ainda insistiu "Mas talvez Nosso Senhor não os perdoe" Ao passo que a senhorinha respondeu: "O Senhor perdoa tudo, se o Senhor não perdoasse, o mundo não existiria". E essa é uma entre tantas lições que ele diz ter aprendido sobre misericórdia, antes de ser nomeado papa.

Depois, já em outro capitulo, o papa recorda que todos nós somos pecadores, e que Deus sempre procura uma brecha, uma fresta, uma porta, para nos dar a graça de sermos perdoados. Mesmo que nós não nos arrependamos concretamente, só de termos a vontade de o fazer, já é a graça de Deus agindo! Deus nos ama, e sabe que precisamos do arrependimento sincero para que o perdão seja concedido em sua plenitude pelo sacramento da confissão.

O repórter então faz uma pergunta tendenciosa ao papa, de que nunca viu na história um papa se declarar pecador como Francisco faz. Ele objeta que os papas sempre foram homens que reconheceram suas fragilidades, desde Pedro o primeiro papa. Negou Jesus, se arrependeu, e Jesus manteve sua promessa feita antes da paixão, de que ele apascentaria suas ovelhas. Deus confia em nós apesar de nós.

Há também a realidade dos padres, como contar a uma pessoa, humana como você e pecadora como você as suas faltas? O papa dá as dicas, dá também conselhos aos padres de como serem bons confessores, de nunca se deixar levar pelo escrúpulo ou pela soberba. Contou então a história de um padre amigo seu que o procurou para falar que ás vezes sentia que perdoava as pessoas demais: "Lembro-me de outro grande confessor, mais novo do que eu, um padre que exercia seu ministério em Buenos Aires (... ) "Eu perdoo muito e ás vezes sinto o escrúpulo de ter perdoado demais". Conversamos sobre a misericórdia, e eu lhe perguntei o que fazia quando sentia aquele escrúpulo. Ele respondeu: "Vou até a nossa capelinha, diante do sacrário, e digo a Jesus: 'Senhor perdoa-me, porque perdoei demais. Mas foi o Senhor que me deu o mau exemplo'"!. Isto eu jamais esquecerei" (p.42).

Uma das partes que mais me chamou atenção e mais me fez pensar em como sou soberba, o papa contou que sempre que visita uma prisão para falar aos prisioneiros ele pensa "Por que eles e não eu? Devia estar aqui, merecia estar aqui", e conclui "A sua queda poderia ser a minha, não me sinto melhor do que aqueles que tenho diante de mim. Assim me encontro a repetir e a rezar: Por que eles e não eu? Isso pode escandalizar, mas consolo-me com Pedro que negou Jesus e apesar disso foi escolhido" (p.76)

Que sabedoria deste servo de Deus! E o o tanto que não tem para nos ensinar sobre humildade e sobre Jesus. Após a leitura desse livro posso dizer que meu olhar sobre o nosso pastor mudou e muito, também meu jeito de enxergar a misericórdia de Deus que abraça a todas as pessoas, pois todos nós pecados, de padres a assassinos, de livres a presos, Jesus não faz acepção de pessoas, Ele escolhe quem tem que escolher, da missões as pessoas mais diferentes, e quando o pensamento de julgamento vier a minha mente como o "Mas essa pessoa é um pecador" "Essa pessoa faz coisas terríveis", vou lembrar sempre do Papa Francisco dizendo "Por que eles e não eu? Se não fosse a graça de Deus na minha vida, poderia ter sido eu, que sou tão pecadora quanto".

Para finalizar a entrevista o papa fecha com a máxima de São João da Cruz, o pai do Carmelo descalço "No entardecer da vida, seremos julgados pelo amor". Que eu ame então, e peça sempre a Jesus a graça de me reconhecer pecadora, e saber que se a misericórdia de Deus me alcançou, pode alcançar todas as pessoas.

Lições do dorama "I'm not a robot"





Vocabulário: Dorama, são séries de drama orientais, geralmente coreanas, podendo ser também chinesas, japonesas etc.

  • Contém spoilers.

Sinopse:  A série retrata um diretor financeiro, milionário, de uma empresa de financiamentos que sofre a quinze anos de uma alergia raríssima que o impede de ter contatos com outros seres humanos. Como parte de um plano experimental de uma equipe de cientistas financiados pela sua empresa, ele aceita treinar a mais nova invenção dessa equipe: um robô com características reais humanas, capaz de armazenar sentimentos e emoções. O problema é  que prestes a fazer os testes, o robô apresenta um defeito, que o torna incapaz de sair do laboratório. Temendo a impaciência do seu "chefe" o diretor toma uma medida drástica: pede para que sua ex namorada, em quem o robô foi baseado, fingir ser um robô até que tudo esteja acertado.
Episódios: 32 (em média 30min cada)
Onde asssitir: Viki (aplicativo de streamin) Kindom fansubs

Logo nos primeiros episódios da série já é possível observar as características próprias de cada personagem. Kim Min Kyu (interpretado pelo talentosíssimo Yoo Seung-Ho), os pais morreram num acidente de carro, filho único, se fechou em si mesmo, com uma doença que o impede de ter contato humano, está acostumado a ter tudo do seu jeito, na sua hora e conforme as suas expectativas. Jo Ji Ah (Cheo So Bin) é orfã e vive com irmão, a cunhada (que está grávida) e sobrinha. Não tem emprego fixo e não tem muita responsabilidade, vive correndo atrás de sonhos que ela mesma já percebeu que não tinham como serem realizados, mas não desiste. Dr. Hong Baek Gyun (Uhm Ki Joon), que já foi um grande engenheiro robótico, mas por problemas do passado, teve seu nome manchado, e trabalha num projeto secreto junto com a sua equipe a Santa Maria (nem adorei o nome haha), para criar um robô o mais "humano" possível.

A trama gira em torno desses personagens principais, e de outros secundários. O Dr. consegue criar o robô perfeito, do jeitinho que a empresa (a empresa de Mim Hyu) queria, entretanto ele tem uma particularidade: o robô, aji-3, é idêntico a Jo Ji Ah, que é ex namorada do Dr Hong! Para piorar a situação, o Dr. teve que ir atrás da sua ex namorada, pedindo á ela que se passasse pelo robô por algumas semanas, até que ele consertasse o problema que ela tinha, pois o chefe financeiro, o Kim Min Kyu queria testa-la antes de mostrar a empresa. Ela aceita, sem saber das condições clínicas do moço, e por uma quantia em dinheiro, que ela precisava para continuar lutando pelos seus sonhos de empreendedora.

O desenrolar da história é o mais óbvio possível: Ambos se apaixonam um pelo outro. O estranho é, o Min Kyu, achava que estava doido por ter se apaixonado por um robô, e a Jo Ji Ah, tinha medo da reação dele se contasse que na verdade ela estava mentindo. Outra coisa mais óbvia ainda também acontece: ele descobre a verdade da pior maneira possível, porque, a mentira sempre é descoberta pela verdade.

Clichês a parte, o que me chamou atenção desde o primeiro episódio é de como o Kim Min Kyu se isolava das pessoas, seu egocentrismo, seu orgulho, suas feridas do passado, não deixava com que ele continuasse a vida dele. Muitas vezes eu me vi no personagem dele, quantas vezes não fiz eu a mesma coisa?

O interessante é que ele adquiriu essa doença, essa alergia a contato humano, quando criança. Após o acidente dos seus pais, um dos acionistas da empresa, a pessoa que ele mais confiava, tentou lhe dar um golpe, apoiado pelo filho dele, melhor amigo de Kim Min Kyu. Isso deixou marcas profundas nele, na verdade ele tinha uma doença espiritual, que se manisfestava no corpo dele. Quando conheceu a Jo Ji Ah, ele não sabia que ela era humana, então pode confiar nela plenamente, ao ponto de que, com ela a alergia não se manifestava, comprovando que era espiritual e psíquica.



Nós somos seres socais. Necessitamos de convívio social com outras pessoas, seja na faculdade/escola, na igreja, no bairro, em qualquer lugar. Quando nos privamos disso, nos fechamos em nós mesmos, nos nossos achismos, nas nossas verdades, e isso não é cristão.

Outra lição muito cristã dessa série é de que nada fica escondido. Uma hora a verdade sempre vem a tona! E ela dói, principalmente se existem outros sentimentos envolvidos. O Min Kyu descobriu da pior maneira possível que a Jo Ji Ah tinha fingido ser um robô, as consequências da mentira dela, quase o matou, pois ele reviveu toda a traição sofrida na infância, e teve uma crise alérgica muito forte. E então, o desenrolar de tudo isso, foi mais cristão possível: a caridade.
Caridade porque o Kim Min Kyu precisou de cuidados após o ataque alérgico, e mesmo que ele não queria, Jo Ji Ah ficou do lado dele, preparando comida pra ele (mesmo que ele nos seus ataques de fúria jogava a comida toda fora, brigava com ela e a xingava), ouvindo tudo que ele tinha para dizer. Ela não desistiu, pois o amava, também sabia que tinha errado em mentir, e estava tentando reparar o seu erro. A recompensa veio, na série, eles se acertaram, pois era uma ficção, na vida real nossos esforços por amar nem sempre vem nesta vida. Algumas pessoas, vamos amá-las sem nunca ver nenhum tipo de retribuição, mas é claro, que isso não importa.

A lição final não poderia ser outra, o perdão. Após perdoar o seu amigo de infancia, seu amor, a família que ele recebeu (a equipe de robótica da Santa Maria) Kim Min Kyu viu sua doença sumir. O perdão que na série é mero esforço humano, mas que na realidade nós que somos cristãos sabemos que é uma realidade sobrenatural. Ninguém consegue perdoar se não houver uma intervenção divina, de um Deus que perdoa por nós e em nós.

As nossas realidades espirituais muitas vezes refletem no nosso corpo, na nossa vida, nas nossas atitudes. Para mim foi uma grande surpresa me ver num personagem tão conturbado, mas que depois de deixar-se ser amado, foi mudado. Foi então que eu fiz uma prece a Deus, de me dar a graça de me abrir para o amor das pessoas, sabendo que serei ferida, mas sabendo que valerá a pena, pois no fim todos nós somos feridos, mas é melhor ser ferido pelo amor do que pelo egoísmo e pelo orgulho.

Finalizo com a frase dita pelo personagem que mais me marcou: Quando o médico pergunta para ele, se ele for ferido de novo, como ele reagirá? Se a alergia dele voltará. Ele simplesmente responde: Eu então aprenderei a amar minhas feridas. Que possamos amar nossas feridas, amar sempre, amar em toda circunstancia, amar porque Deus é amor. 

Amar suas fraquezas

(Foto tirada por mim num dia de chuva que estava perfeito) Outubro. No dia primeiro do mês celebramos uma das Santas mais populares d...