(Dorama: A fada do levantamento de peso)
Já faz algum tempo que ando bem encantada com um tipo de
série oriental chamado dorama. São séries curtinhas, principalmente de origem
coreana, que tem em sua maioria 16 episódios de 1 hora cada um. Pensando sobre
como isso tem efeito sobre a minha vida espiritual e emocional, me deparei com
algo que praticamente todos eles têm em comum: romances bem leves e até
inocentes e puritanos, histórias bem simples e até clichês, coisas consideradas
bobas por nós que somos ocidentais. Coisas que para nós são coisas do dia a
dia: pegar na mão, beijo no rosto, falar que gosta, sair para tomar um café,
para a cultura deles tem um valor enorme. O que me fez pensar no valor que eu e
as pessoas dão para as coisas.
O que me encanta é exatamente isso, como que uma coisa
considerada comum e normal, tem um valor enorme. Quantas vezes não queremos que
coisas grandiosas aconteçam para que então tenham seu devido valor: Precisa ser
uma declaração de amor enorme, precisa ser um beijo enorme e demorado, demonstrações
de afeto cada vez maiores e nós nunca parecemos estar satisfeitos, queremos
sempre mais e mais afeto, e assim vamos ficando cada vez mais insatisfeitos,
com a nossa carência, com as expectativas que criamos em cima dos outros e em
nós mesmos.
Se talvez nós déssemos o devido valor a um abraço, andar de
mãos dadas, a uma rosa comprada com carinho, se mudássemos a quantidade do
nosso afeto e passássemos a dar qualidade para ele, talvez nossas relações
amorosas não se acabassem de um dia para o outro. Talvez nós parássemos de exigir
do outro e da gente mesmo, coisas grandiosas. Ficamos encantados com a ficção e
esquecemos que podemos e devemos fazer isso na vida real também.
Será que não estamos colocando expectativa demais em cima
dos outros? Será que não queremos exigir coisas grandiosas das pessoas, quando a
realidade deveríamos é dar valor as coisas simples e pequenas?
Por que as pessoas hoje em dia não dão valor mais as coisas
pequenas? (inclusive eu mesma estou incluída) Enchemos a boca para falar quando
alguém faz coisas grandiosas por nós, mas esquecemos daquela vez que talvez não
tenha sido grande coisa, mas intenção com que foi feita, foi muito mais pura e
grandiosa do que a coisa em si.
É como diz Santa Teresinha (que sempre amou as coisas
pequenas): Nada é pequeno se feito com amor!
