Vocabulário: Dorama, são séries de drama orientais, geralmente coreanas, podendo ser também chinesas, japonesas etc.
Sinopse: A série retrata um diretor financeiro, milionário, de uma empresa de financiamentos que sofre a quinze anos de uma alergia raríssima que o impede de ter contatos com outros seres humanos. Como parte de um plano experimental de uma equipe de cientistas financiados pela sua empresa, ele aceita treinar a mais nova invenção dessa equipe: um robô com características reais humanas, capaz de armazenar sentimentos e emoções. O problema é que prestes a fazer os testes, o robô apresenta um defeito, que o torna incapaz de sair do laboratório. Temendo a impaciência do seu "chefe" o diretor toma uma medida drástica: pede para que sua ex namorada, em quem o robô foi baseado, fingir ser um robô até que tudo esteja acertado.
Episódios: 32 (em média 30min cada)
Onde asssitir: Viki (aplicativo de streamin) Kindom fansubs
Logo nos primeiros episódios da série já é possível observar as características próprias de cada personagem. Kim Min Kyu (interpretado pelo talentosíssimo Yoo Seung-Ho), os pais morreram num acidente de carro, filho único, se fechou em si mesmo, com uma doença que o impede de ter contato humano, está acostumado a ter tudo do seu jeito, na sua hora e conforme as suas expectativas. Jo Ji Ah (Cheo So Bin) é orfã e vive com irmão, a cunhada (que está grávida) e sobrinha. Não tem emprego fixo e não tem muita responsabilidade, vive correndo atrás de sonhos que ela mesma já percebeu que não tinham como serem realizados, mas não desiste. Dr. Hong Baek Gyun (Uhm Ki Joon), que já foi um grande engenheiro robótico, mas por problemas do passado, teve seu nome manchado, e trabalha num projeto secreto junto com a sua equipe a Santa Maria (nem adorei o nome haha), para criar um robô o mais "humano" possível.
A trama gira em torno desses personagens principais, e de outros secundários. O Dr. consegue criar o robô perfeito, do jeitinho que a empresa (a empresa de Mim Hyu) queria, entretanto ele tem uma particularidade: o robô, aji-3, é idêntico a Jo Ji Ah, que é ex namorada do Dr Hong! Para piorar a situação, o Dr. teve que ir atrás da sua ex namorada, pedindo á ela que se passasse pelo robô por algumas semanas, até que ele consertasse o problema que ela tinha, pois o chefe financeiro, o Kim Min Kyu queria testa-la antes de mostrar a empresa. Ela aceita, sem saber das condições clínicas do moço, e por uma quantia em dinheiro, que ela precisava para continuar lutando pelos seus sonhos de empreendedora.
O desenrolar da história é o mais óbvio possível: Ambos se apaixonam um pelo outro. O estranho é, o Min Kyu, achava que estava doido por ter se apaixonado por um robô, e a Jo Ji Ah, tinha medo da reação dele se contasse que na verdade ela estava mentindo. Outra coisa mais óbvia ainda também acontece: ele descobre a verdade da pior maneira possível, porque, a mentira sempre é descoberta pela verdade.
Clichês a parte, o que me chamou atenção desde o primeiro episódio é de como o Kim Min Kyu se isolava das pessoas, seu egocentrismo, seu orgulho, suas feridas do passado, não deixava com que ele continuasse a vida dele. Muitas vezes eu me vi no personagem dele, quantas vezes não fiz eu a mesma coisa?
O interessante é que ele adquiriu essa doença, essa alergia a contato humano, quando criança. Após o acidente dos seus pais, um dos acionistas da empresa, a pessoa que ele mais confiava, tentou lhe dar um golpe, apoiado pelo filho dele, melhor amigo de Kim Min Kyu. Isso deixou marcas profundas nele, na verdade ele tinha uma doença espiritual, que se manisfestava no corpo dele. Quando conheceu a Jo Ji Ah, ele não sabia que ela era humana, então pode confiar nela plenamente, ao ponto de que, com ela a alergia não se manifestava, comprovando que era espiritual e psíquica.
Nós somos seres socais. Necessitamos de convívio social com outras pessoas, seja na faculdade/escola, na igreja, no bairro, em qualquer lugar. Quando nos privamos disso, nos fechamos em nós mesmos, nos nossos achismos, nas nossas verdades, e isso não é cristão.
Outra lição muito cristã dessa série é de que nada fica escondido. Uma hora a verdade sempre vem a tona! E ela dói, principalmente se existem outros sentimentos envolvidos. O Min Kyu descobriu da pior maneira possível que a Jo Ji Ah tinha fingido ser um robô, as consequências da mentira dela, quase o matou, pois ele reviveu toda a traição sofrida na infância, e teve uma crise alérgica muito forte. E então, o desenrolar de tudo isso, foi mais cristão possível: a caridade.
Caridade porque o Kim Min Kyu precisou de cuidados após o ataque alérgico, e mesmo que ele não queria, Jo Ji Ah ficou do lado dele, preparando comida pra ele (mesmo que ele nos seus ataques de fúria jogava a comida toda fora, brigava com ela e a xingava), ouvindo tudo que ele tinha para dizer. Ela não desistiu, pois o amava, também sabia que tinha errado em mentir, e estava tentando reparar o seu erro. A recompensa veio, na série, eles se acertaram, pois era uma ficção, na vida real nossos esforços por amar nem sempre vem nesta vida. Algumas pessoas, vamos amá-las sem nunca ver nenhum tipo de retribuição, mas é claro, que isso não importa.
A lição final não poderia ser outra, o perdão. Após perdoar o seu amigo de infancia, seu amor, a família que ele recebeu (a equipe de robótica da Santa Maria) Kim Min Kyu viu sua doença sumir. O perdão que na série é mero esforço humano, mas que na realidade nós que somos cristãos sabemos que é uma realidade sobrenatural. Ninguém consegue perdoar se não houver uma intervenção divina, de um Deus que perdoa por nós e em nós.
As nossas realidades espirituais muitas vezes refletem no nosso corpo, na nossa vida, nas nossas atitudes. Para mim foi uma grande surpresa me ver num personagem tão conturbado, mas que depois de deixar-se ser amado, foi mudado. Foi então que eu fiz uma prece a Deus, de me dar a graça de me abrir para o amor das pessoas, sabendo que serei ferida, mas sabendo que valerá a pena, pois no fim todos nós somos feridos, mas é melhor ser ferido pelo amor do que pelo egoísmo e pelo orgulho.
Finalizo com a frase dita pelo personagem que mais me marcou: Quando o médico pergunta para ele, se ele for ferido de novo, como ele reagirá? Se a alergia dele voltará. Ele simplesmente responde: Eu então aprenderei a amar minhas feridas. Que possamos amar nossas feridas, amar sempre, amar em toda circunstancia, amar porque Deus é amor.