Amar suas fraquezas

(Foto tirada por mim num dia de chuva que estava perfeito)

Outubro. No dia primeiro do mês celebramos uma das Santas mais populares da igreja que todos amam: Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.
Confesso que eu nunca fui fã de Santa Teresinha, e nunca entendi porque tantas pessoas amavam ela e tinham devoção á ela. Mas em janeiro desse ano conheci uma pessoa que a amava e aprendeu com ela como ser melhor, aprendeu tanto que se tornou santa: Santa Teresa dos Andes, a padroeira da juventude da América latina, e minha santa de maior devoção desde então.

Ainda farei um post sobre minha história com a minha Teresa e de como ela cuida de mim e me escolheu. Mas hoje o assunto é amar a si mesmo, e o que eu tenho aprendido com Santa Teresinha.

Fazes as pazes consigo mesmo deve ser uma das coisas mais difíceis para se fazer. Olhar para sua própria história, para sua vida no presente, e para os seus sonhos no futuro é doloroso, mas necessário. A grande maioria das pessoas não gosta do seu passado, eu mesma, cada vez que tenho que olhar para trás é uma tortura. Mesmo que já recebi muitas graças e curas do meu passado em relação a terceiros, quando se trata de mim mesma, a conversa é outra.

Perfeccionismos, falta de confiança na graça de Deus, erros e mais erros... Minha mania de grandeza (própria do meu temperamento predominante, mas que só descobri recentemente) e de almejar grandes coisas, sempre me fez sofrer muito: insatisfação, nada nunca é ou foi bom o suficiente. Foi então que conheci Teresinha: pequena, falha, muitas vezes até mau compreendida na sua "infantilidade", mas não tinha medo disso, nunca teve medo de si mesma, e nunca teve medo de admitir que era falha e que dependia de Deus para tudo! 

Confesso que foi um choque para mim conhecer sua infância espiritual e sua total dependência de Deus em tudo! Pra mim o segredo dela é que ela sabia exatamente o seu lugar na criação. Não queria ser Deus ou tomar o lugar de Deus. Para ela tudo bem ser pequena, desde que Deus fosse grande nela, tudo bem ser falha, se essas falhas lhe levassem a amar a Deus que é perfeito, tudo bem ser infantil, porque as crianças sabem como depender dos seus pais e contar com eles para tudo.

Então eu resolvi olhar pra trás hoje novamente. Mesmo que eu sei que vai doer, e que eu não vou gostar do que vou ver, mas vou olhar pela última vez com olhar de desgosto. A partir de hoje quero olhar minha história como o lugar onde minhas fraquezas e erros me levaram até Jesus, quero olhar para a Débora adolescente e amá-la, dizer obrigada, porque se hoje eu conheço Jesus, se hoje eu sei as coisas que eu sei, foi porque a Débora adolescente existiu, e deixou-se ser conduzida até aqui, até hoje e é hoje que eu te deixo livre, para ser quem você é.

E também a Débora de hoje aprende com Santa Teresinha, aos trancos e barrancos, quero olhar meu presente como ela: tudo bem ser falha, pequena, infantil, se tudo isso me levar a amar a Jesus. Tudo bem ser imperfeita, porque só Deus é perfeito, e é o único que deveria ser mesmo perfeito. 

Tirar dos meus ombros o fardo de ser perfeita é a melhor coisa que eu venho aprendendo. Com isso Jesus troca meu fardo, tira o julgo pesado da auto cobrança, do perfeccionismo, e coloca o julgo leve do amor. Tudo bem ser só uma criatura, eu não quero ser divina, não quero tomar o lugar de Deus que é perfeito. Eu aceito a minha imperfeição para que Deus reine na minha vida sendo perfeito.

O que me fez olhar para minha história com amor é sabe que Deus me amou primeiro, e que seu amor nunca foi mudado pelas coisas que eu fiz, pois se isso tivesse acontecido, Ele não seria Deus. Desde quando fui concebida, até hoje, até esse momento, Ele me amou primeiro, e me amou da mesma forma, com a mesma perfeição, com o mesmo cuidado e carinho de sempre.

Para perdoar meu eu do passado eu precisei saber que Deus nunca mudou. Ele é o mesmo, ontem, hoje e sempre, assim como seu amor. O mesmo amor que Ele me da agora, também me deu no passado, da mesma forma, com a mesma intensidade. Assim o julgo vai ficando mais leve.

Encerro com a minha frase preferida de Santa Teresinha: "Não consigo crescer, devo suportar-me como sou, com todas as minhas imperfeições" ♡






A resposta que eu quero dar a Deus



Estava na segunda feira fazendo minha meditação diária com o evangelho do dia. A leitura era uma passagem que em 24 anos que sou católica, sempre li, e sempre escutei várias pregações sobre ela. Era a parábola do bom samaritano: Lc 10, 25-37


Naquele tempo, 25 levantou-se um doutor da lei e, para pôr Jesus à prova, perguntou: “Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?”
26 Disse-lhe Jesus: “Que está escrito na lei? Como é que lês?”
27 Respondeu ele: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento; e a teu próximo como a ti mesmo”.
28 Falou-lhe Jesus: “Respondeste bem; faze isto e viverás”.
29 Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?”
30 Jesus então contou: “Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto.
31 Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante.
32 Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante.
33 Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão.
34 Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele.
35 No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: ‘Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta to pagarei’.
36 Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?”
37 Respondeu o doutor: “Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo”.


Ouvindo o comentário do Padre Paulo Ricardo, o mesmo explicou que alegoricamente o bom samaritano é Jesus, que vem ao nosso encontro primeiro, nos ama primeiro antes que eu mesma pense em amá-lo.

A nossa oração nada mais é do a resposta que damos a Deus desse amor. Foi então que percebi porque eu nunca consigo rezar direito, nem que seja um simples rosário! Eu tento inverter a ordem das coisas: quero amar Deus primeiro e tentar fazer com que ele me note através da minha oração. O que além de totalmente errado, não é nada cristão.

É incrível como que depois de 24 anos me considerando cristã, eu ainda não aprendi nada com o cristianismo. Jesus é o Deus verdadeiro exatamente porque com Ele tudo é diferente. Ele não espera que eu me manifeste, ou que eu vá atrás dele, Ele mesmo vem, e como eu (e acredito que a maioria das pessoas também) não estou acostumada com alguém que venha ao meu encontro ao invés de eu fazer isso, ignoro completamente essa verdade.

Antes que eu pensasse em ir, Ele já veio, antes que eu pensasse em estar aqui escrevendo sobre Ele e a sua verdade na minha vida, Ele já estava aqui, me esperando.

Porque é próprio do amor, do amor verdadeiro digo, a antecipar-se. Sair de si, ir ao encontro, ir primeiro, dar o primeiro passo, para que então o outro responda esse amor. Como Deus é perfeito sua antecipação também é. O que me deixa constrangida como criatura pecadora que sou.

Ai eu me pergunto: Qual a qualidade da minha resposta de amor a Ele? Porque ele não está interessado em intensidade, ou quantidade, mas qualidade. Porque Deus não pensa como a gente, pra Ele a intenção, o motivo, o porquê de fazermos a coisas que importa.

E a minha resposta? A pior possível, como era de se esperar de uma criatura que nem ao menos sabe, nem ao menos corresponde ao amor com que é amada. Gosto sempre de lembrar de São Paulo que diz que a graça pressupõe a natureza, ou seja, aquilo que eu sou na minha natureza pode ser superado pela graça de Deus.

Porque esse abaixar-se de Deus, nada mais é do que Ele me dizendo: "Você não consegue sozinha, eu tô aqui". E eu não consigo mesmo, quanto mais cedo eu admitir pra mim mesma que sem Ele a única coisa que eu consigo fazer é me rastejar na lama cada vez mais, que sem o auxílio da sua Graça cada passo que eu dou é um passo vazio em mim mesma, eu não consigo mudar, não consigo melhorar.

A oração pós comunhão do domingo (e dessa semana) diz exatamente isso:

"Possamos, ó Deus onipotente, saciar-nos do pão celeste e inebriar-nos do vinho sagrado, para que sejamos transformados naquele que agora recebemos. Por Cristo, nosso Senhor."

Porque não basta Deus nos amar primeiro, nos amar infinitamente, Ele ainda dá Ele mesmo para que sejamos transformados.

Diante dessa verdade, eu me decido em dar a melhor resposta que puder a esse amor infinito, a melhor que eu puder não vai ser a resposta mais perfeita, nem a ideal, muito menos a que Ele merece, mas se tem uma coisa que venho aprendendo nos últimos meses é que preciso amar quem eu sou, para corresponder ao amor de Deus, o melhor que eu puder. Basta dar o primeiro passo, o caminho é Ele que constrói.





Amar suas fraquezas

(Foto tirada por mim num dia de chuva que estava perfeito) Outubro. No dia primeiro do mês celebramos uma das Santas mais populares d...