Livro: "O nome de Deus é misericórdia" do Papa Francisco




  • Nome do livro: O nome de Deus é misericórdia
  • Autor: Papa Francisco
  • Livro em formato de entrevista jornalística
  • Número de páginas: 138


Este livro pequeno e fantástico em forma de entrevista me fez ter um olhar totalmente novo sobre o nosso pastor, o Papa Francisco. Ele foi escrito em razão do ano da Misericórdia promulgado pelo Papa em 2015/2016. 
Ele se trata de uma entrevista jornalistica, de uma conversa, de um jornalista com o Papa. Outro livro desse formato que gostei muito foi "Cruzando limiar da esperança" do então papa e hoje santo, São João Paulo II.

O papa trata de assuntos bem particulares e com nada de novo a nós católicos: misericórdia, fé, sacramento da confissão, mas é a forma simples e direta com que ele fala sobre isso que me deixou profundamente tocada.

Logo na primeira parte, o papa é questionado de como surgiu a ideia de fazer um Jubileu da Misericórdia, com a sua simplicidade heroica ele responde que a ideia lhe veio em oração, mas que como ele não confia em si mesmo, esperou que Deus mostrasse mais claramente que isso era da Sua vontade. Aí eu me perguntei: se nem o Papa confia em si mesmo quando ouve Deus falando na oração, quem somos nós para sair achando que qualquer coisa foi revelação divina? Como o papa disse é preciso prudência e paciência para que a nossa vontade não se misture com a de Deus.

Nas palavras do próprio papa: "As coisas me ocorrem muito espontaneamente, são coisas do Senhor, cultivadas na oração. Sou acostumado a nunca confiar na primeira reação que tenho perante uma ideia que me vem ou uma proposta que me é feita. Nunca confio, até porque, em geral, a primeira reação é equivocada" (p.33). O papa disse ainda que Ele sempre teve uma relação muito estreita com a misericórdia divina, pelo tempo que passou sendo confessor.

Ele cita várias vezes São João Paulo II e outros papas, para afirmar que nada do que ele faz é novo, que não existe novidade no evangelho, Deus é o mesmo ontem hoje e sempre. O Papa faz questão de citar textos bíblicos, e o texto que lhe fez pensar no jubileu, a pecadora que foi impedida de ser apedrejada por Jesus e o capitulo 16 do livro de Ezequiel, que fala que mesmo que povo de Israel foi infiel, Deus não seria, pois não pode negar a si mesmo.

O papa fala ainda que o mal do século é a falta de consciencia das pessoas hoje de que elas são pecadoras, só uma pessoa doente sabe que precisa de um médico. Ele contou a história de uma senhora que o procurou para se confessar quando ele ainda era Bispo em Buenos Aires. Ao brincar com ela e dizer "Mas a senhor não tem pecados" A senhorinha respondeu: "Todos nós temos pecados..." ele ainda insistiu "Mas talvez Nosso Senhor não os perdoe" Ao passo que a senhorinha respondeu: "O Senhor perdoa tudo, se o Senhor não perdoasse, o mundo não existiria". E essa é uma entre tantas lições que ele diz ter aprendido sobre misericórdia, antes de ser nomeado papa.

Depois, já em outro capitulo, o papa recorda que todos nós somos pecadores, e que Deus sempre procura uma brecha, uma fresta, uma porta, para nos dar a graça de sermos perdoados. Mesmo que nós não nos arrependamos concretamente, só de termos a vontade de o fazer, já é a graça de Deus agindo! Deus nos ama, e sabe que precisamos do arrependimento sincero para que o perdão seja concedido em sua plenitude pelo sacramento da confissão.

O repórter então faz uma pergunta tendenciosa ao papa, de que nunca viu na história um papa se declarar pecador como Francisco faz. Ele objeta que os papas sempre foram homens que reconheceram suas fragilidades, desde Pedro o primeiro papa. Negou Jesus, se arrependeu, e Jesus manteve sua promessa feita antes da paixão, de que ele apascentaria suas ovelhas. Deus confia em nós apesar de nós.

Há também a realidade dos padres, como contar a uma pessoa, humana como você e pecadora como você as suas faltas? O papa dá as dicas, dá também conselhos aos padres de como serem bons confessores, de nunca se deixar levar pelo escrúpulo ou pela soberba. Contou então a história de um padre amigo seu que o procurou para falar que ás vezes sentia que perdoava as pessoas demais: "Lembro-me de outro grande confessor, mais novo do que eu, um padre que exercia seu ministério em Buenos Aires (... ) "Eu perdoo muito e ás vezes sinto o escrúpulo de ter perdoado demais". Conversamos sobre a misericórdia, e eu lhe perguntei o que fazia quando sentia aquele escrúpulo. Ele respondeu: "Vou até a nossa capelinha, diante do sacrário, e digo a Jesus: 'Senhor perdoa-me, porque perdoei demais. Mas foi o Senhor que me deu o mau exemplo'"!. Isto eu jamais esquecerei" (p.42).

Uma das partes que mais me chamou atenção e mais me fez pensar em como sou soberba, o papa contou que sempre que visita uma prisão para falar aos prisioneiros ele pensa "Por que eles e não eu? Devia estar aqui, merecia estar aqui", e conclui "A sua queda poderia ser a minha, não me sinto melhor do que aqueles que tenho diante de mim. Assim me encontro a repetir e a rezar: Por que eles e não eu? Isso pode escandalizar, mas consolo-me com Pedro que negou Jesus e apesar disso foi escolhido" (p.76)

Que sabedoria deste servo de Deus! E o o tanto que não tem para nos ensinar sobre humildade e sobre Jesus. Após a leitura desse livro posso dizer que meu olhar sobre o nosso pastor mudou e muito, também meu jeito de enxergar a misericórdia de Deus que abraça a todas as pessoas, pois todos nós pecados, de padres a assassinos, de livres a presos, Jesus não faz acepção de pessoas, Ele escolhe quem tem que escolher, da missões as pessoas mais diferentes, e quando o pensamento de julgamento vier a minha mente como o "Mas essa pessoa é um pecador" "Essa pessoa faz coisas terríveis", vou lembrar sempre do Papa Francisco dizendo "Por que eles e não eu? Se não fosse a graça de Deus na minha vida, poderia ter sido eu, que sou tão pecadora quanto".

Para finalizar a entrevista o papa fecha com a máxima de São João da Cruz, o pai do Carmelo descalço "No entardecer da vida, seremos julgados pelo amor". Que eu ame então, e peça sempre a Jesus a graça de me reconhecer pecadora, e saber que se a misericórdia de Deus me alcançou, pode alcançar todas as pessoas.

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