A adolescência/juventude é uma fase marcada por descobertas,
por escolhas, pelo conhecimento de si mesmo. Desde muito jovem eu ansiava por
descobrir quem eu era, sempre tive a curiosidade muito aguçada e essa
curiosidade me levou a essa busca. É comum notar que temos algumas
particularidades que outras pessoas não têm, e nos sentir estranhos e
esquisitos por causa disso. Aí entra a comparação com outras pessoas, que se
não for bem colocada pode levar a uma destruição de nós mesmos.
Estava pensando sobre isso, pois recentemente venho passando
por muitas descobertas e redescobertas de mim mesma, uma das coisas que mais me
alegrou descobrir é que essas coisinhas que eu tenho de diferente são presentes
de Deus. Sim, pois Deus não nos colocou nesse mundo para “nos virarmos nos 30”
sem ajuda de ninguém, Ele jamais, quando pensou em mim, quis que eu ficasse
desamparada, lutando sozinha. Deus sempre dá os meios para que a gente busque a
santidade e busque o céu, só que muitas vezes esses meios são meio
desconhecidos de nós mesmos.
Me recordei de uma palestra do padre Adriano Zandoná, que
falava sobre aceitação de si mesmo, ele contou uma história de um jovem e um
senhor ourives, um dia esse senhor para mostrar ao jovem seu valor, pediu que
ele pegasse um anel de ouro, e fosse numa feira perguntar aos feirantes quanto
eles dariam por tal anel. E ele foi, um disse que dava 50 reais, outro 40 e
outro 20. O jovem voltou escandalizado, e comentou com o ourives que aqueles
feirantes não entendiam nada de ouro. Pois bem, o ourives pediu para que o jovem
fosse então a uma das joalherias mais caras da cidade e perguntasse ao dono,
quanto ele daria no anel. O jovem foi, o dono disse que daria 10 mil reais
(muito mais do que o anel valia). Encantado o jovem volta e conta ao velho
ourives o ocorrido, e ele finaliza: quando quiser saber do seu valor pergunte
ao seu Dono, pergunte a Deus. Isso me deu uma alegria enorme, mesmo que eu seja
um simples anelzinho, para Deus eu tenho um valor enorme.
Foi então que cai do meu cavalo de fantasias, e comecei a
tentar me aceitar como eu sou, com o meu temperamento, com meus defeitos (que
podem ser melhorados na graça de Deus), com a minha pessoalidade, com meu
jeitinho que é só meu, Deus que me deu, e não aceitar esse presente de Deus é
uma ofensa muito grande para com Ele.
Desde então tenho me sentido mais livre. “Ama e faz o que
quiseres” vai dizer Santo Agostinho, o único que pode fazer o que quer nessa
vida é Deus, pois Ele sabe como amar. Quando eu amo minha liberdade, quando eu
amo a pessoa que Deus fez, eu amo a Deus assim Ele tem espaço na minha vida.
Deus faz muito com pouco, basta uma pequena abertura para que a sua graça
transborde, e isso é uma coisa que eu nunca vou entender.

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