Estava na segunda feira fazendo minha meditação diária com o evangelho do dia. A leitura era uma passagem que em 24 anos que sou católica, sempre li, e sempre escutei várias pregações sobre ela. Era a parábola do bom samaritano: Lc 10, 25-37
Naquele tempo, 25 levantou-se um doutor da lei e, para pôr Jesus à prova, perguntou: “Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?”
26 Disse-lhe Jesus: “Que está escrito na lei? Como é que lês?”
27 Respondeu ele: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento; e a teu próximo como a ti mesmo”.
28 Falou-lhe Jesus: “Respondeste bem; faze isto e viverás”.
29 Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?”
30 Jesus então contou: “Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto.
31 Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante.
32 Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante.
33 Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão.
34 Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele.
35 No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: ‘Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta to pagarei’.
36 Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?”
37 Respondeu o doutor: “Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo”.
Ouvindo o comentário do Padre Paulo Ricardo, o mesmo explicou que alegoricamente o bom samaritano é Jesus, que vem ao nosso encontro primeiro, nos ama primeiro antes que eu mesma pense em amá-lo.
A nossa oração nada mais é do a resposta que damos a Deus desse amor. Foi então que percebi porque eu nunca consigo rezar direito, nem que seja um simples rosário! Eu tento inverter a ordem das coisas: quero amar Deus primeiro e tentar fazer com que ele me note através da minha oração. O que além de totalmente errado, não é nada cristão.
É incrível como que depois de 24 anos me considerando cristã, eu ainda não aprendi nada com o cristianismo. Jesus é o Deus verdadeiro exatamente porque com Ele tudo é diferente. Ele não espera que eu me manifeste, ou que eu vá atrás dele, Ele mesmo vem, e como eu (e acredito que a maioria das pessoas também) não estou acostumada com alguém que venha ao meu encontro ao invés de eu fazer isso, ignoro completamente essa verdade.
Antes que eu pensasse em ir, Ele já veio, antes que eu pensasse em estar aqui escrevendo sobre Ele e a sua verdade na minha vida, Ele já estava aqui, me esperando.
Porque é próprio do amor, do amor verdadeiro digo, a antecipar-se. Sair de si, ir ao encontro, ir primeiro, dar o primeiro passo, para que então o outro responda esse amor. Como Deus é perfeito sua antecipação também é. O que me deixa constrangida como criatura pecadora que sou.
Ai eu me pergunto: Qual a qualidade da minha resposta de amor a Ele? Porque ele não está interessado em intensidade, ou quantidade, mas qualidade. Porque Deus não pensa como a gente, pra Ele a intenção, o motivo, o porquê de fazermos a coisas que importa.
E a minha resposta? A pior possível, como era de se esperar de uma criatura que nem ao menos sabe, nem ao menos corresponde ao amor com que é amada. Gosto sempre de lembrar de São Paulo que diz que a graça pressupõe a natureza, ou seja, aquilo que eu sou na minha natureza pode ser superado pela graça de Deus.
Porque esse abaixar-se de Deus, nada mais é do que Ele me dizendo: "Você não consegue sozinha, eu tô aqui". E eu não consigo mesmo, quanto mais cedo eu admitir pra mim mesma que sem Ele a única coisa que eu consigo fazer é me rastejar na lama cada vez mais, que sem o auxílio da sua Graça cada passo que eu dou é um passo vazio em mim mesma, eu não consigo mudar, não consigo melhorar.
A oração pós comunhão do domingo (e dessa semana) diz exatamente isso:
"Possamos, ó Deus onipotente, saciar-nos do pão celeste e inebriar-nos do vinho sagrado, para que sejamos transformados naquele que agora recebemos. Por Cristo, nosso Senhor."
Porque não basta Deus nos amar primeiro, nos amar infinitamente, Ele ainda dá Ele mesmo para que sejamos transformados.
Diante dessa verdade, eu me decido em dar a melhor resposta que puder a esse amor infinito, a melhor que eu puder não vai ser a resposta mais perfeita, nem a ideal, muito menos a que Ele merece, mas se tem uma coisa que venho aprendendo nos últimos meses é que preciso amar quem eu sou, para corresponder ao amor de Deus, o melhor que eu puder. Basta dar o primeiro passo, o caminho é Ele que constrói.

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